Oriente-se!

Jamais entenderei aqueles que não viram 2017 como um bom ano. Claro que foi um ano difícil, mas teve seus méritos, com certeza.

2017 foi um ano em que muitas personalidades foram reveladas, ou se preferir, que muitas máscaras caíram.

Muita gente conseguiu enxergar que a roubalheira prejudicou o país em bilhões de dólares, muita gente enxergou que o governo atual pouco ou nada fez para melhorar a vida do povo. Porém, só alguns poucos repararam que já havia uma fragilidade anterior, em que se sacava mais do que se depositava, apesar dos depósitos serem vultosos.

O maior depositante, o povo, se viu lesado em sua condição de proprietário. Delegou comandos equivocados a seus gerentes e estes além de salários acima do mercado, encheram-se de lucro indevido, dilapidando bens e direitos de quem os paga.

Os juízes maiores deste país estão estupefatos com a quantidade de podridão que cai em suas mãos e não conseguem chegar a lugar algum porque entre eles há os que se apequenam e não reconhecem a responsabilidade do que há sob seus martelos.

Há aqueles que apelam para os militares, já que as instâncias superiores do judiciário pouco fazem em favor do povo. Só que a caserna é formada por povo também. Os abastados ali são pouquíssimos e não recebem o mesmo que um legislador ou um juiz. Sem contar que o verdadeiro militar do século 21 nada tem a ver com o militar de 1964. O militar de hoje estuda, é mais sensível à família, não goza de prestígio e nem rancho decente tem. Não posso dizer que o militar do século 21 não queira poder. Ele quer poder… sustentar a família, viver com dignidade, aposentar-se com decência, viver a sua vida sem incomodar os outros.

2017 foi bom porque revelou o quanto não podemos crer nos legislativos que nós mesmos empoderamos. Senado, Câmara dos Deputados, Alerj e Câmara Municipal, tudo fraco, tudo em iates assistindo o povo a se afogar.

Tomando o exemplo daqui, o que a Câmara Municipal de São Gonçalo fez de relevante na atual legislatura? NADA! Não existe! É morta! Sequer respeita o estado laico. Profere-se muito da Palavra, mas em nada pratica-se o que se diz. Projetos? Fiscalizações? NADA! Quem vota não é o eleitor, mas o seguidor religioso, que vê o messias em seu pastor. E quando assim não é, houve muito dinheiro gasto com a eleição. Mais dinheiro do que toda a legislatura pagaria. E isso tem que ser analisado e expurgado definitivamente da política. E se o país realmente tomar um rumo, acredito que muita gente ainda acerta as contas com a justiça em 2018.

Mas 2017 foi um bom ano porque nos fez ver tudo isso. Porque muitos trabalharam pela decência, pela melhoria da cidade, do estado e do país. Porque muitos sofreram com a falta de salário e perceberam ter votado errado para, quem sabe, acertar da próxima.

2018 será um ano melhor. Vão abrir algumas comportas de bondade porque vem eleição grande aí. Eles precisam oferecer uma balinha para o povo que já não se alimenta como no tempo do Plano Real e que perdeu gradativamente cada direito até chegar ao hoje.

2017 foi bom porque nos fez enxergar e, com certeza, nos balizará por um 2018 melhor, desde que cada um abra seu coração para dar também o melhor de si.

Um último recado aos políticos menos afeitos à coisa pública: sua batata pode estar assando agora e você pode cair no ostracismo. Faça mais e melhor enquanto é tempo. Esse papinho de fiscalizar obrinha não dá mais. Oriente-se!

3 comentários em “Oriente-se!

  • 31 de dezembro de 2017 em 11:54
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    Concordo! Muito bom mesmo! Inclusive coincide com a conclusão de uma postagem que fiz há pouco no Facebook.

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    • 7 de Janeiro de 2018 em 14:04
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      Fico feliz por ter lido toda a matéria, confesso que a muito não compartilho tamanha compreensão e esclarecimento sobre um assunto tão complexo, pois avaliar com consciência é para poucos. São Gonçalo e o Brasil precisa de fato promover debates profundos com consciência, e menos paixão para avaliar o verdadeiro papel do Legislador, do Executivo e do Judiciário. Além da compreensão da Cultura do voto. Uma sociedade só se reconhece verdadeiramente livre quando a Educação esclarece a sua verdadeira cidadania, através dela é que nos reconhecemos como homens e mulheres livres da influência da comunicação direcionada, pelo poder que corrói a estrutura família DE uma sociedade tão fragilizada como a nossa. Agora temos a chance de escolher os novos legisladores, e que DEUS dê a clara evidência para escolher-mos o melhor para a nossa sociedade. Beijos no coração e sabedoria na hora do voto, pois sem educação e Cultura não iremos a um bom lugar. DÉCIO MACHADO

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  • 31 de dezembro de 2017 em 12:14
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    No meu ponto de vista. Entendi como um ano místico. A água é o fogo trabalharam juntos aprontando todas as tragédias ambientais possíveis. A segurança precária assalto de todos os tipos de bicicleta, mão armada, mão leve, sem contar o colarinho branco, que lástima ficamos largados.violência desnecessária tambem foi o alvo do absurdo.Poxa crianças que nem chegaram a nascer, psicopatas botando fogos em escolas, adolescente assassinando e deixado deficientes colegas de turma. Que venha 2018 mais leve e que o ser humano se dê a chance de mudar alguma coisa em si deixando de ser obtuso nos objetivos e sonhos.

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