Tudo muito sem graça

– Frederico Carvalho – 

De dois em dois anos, coincidindo com a Copa do Mundo ou com as Olimpíadas, quem sabe, até de propósito, acontecem as eleições no Brasil. E as campanhas são mais interessantes que as “janelas partidárias”. Aliados se tornam opositores ferrenhos, amigos jamais se conheceram, opositores viram amigos de infância e a confusão está mais do que formada. Bem, ao menos para o povo, que não entende nada. Para os políticos não. É tudo jogada bem arquitetada para iludir os eleitores, na maioria das vezes, desinteressados pelo pleito.

Política perdeu muito do sentido de “arte de conciliar” para se tornar a “arte de enganar”.  E enganar alguns pode não ser algo tão vantajoso como enganar muitos. E para isso exige-se muita estratégia, infraestrutura e muito discurso, sempre pendendo para as necessidades jamais satisfeitas do povo.

Não é à toa que saúde, transporte, educação, emprego e segurança estão em primeiro lugar no rol dos assuntos mais elencados. Principalmente porque sempre foram esses os itens que faltaram em todos os governos. Coisas nunca resolvidas.

O Café Social foi mais uma forma de iludir a população.

Assunto da moda está sendo a “corrupção” ou o seu inverso, “a honestidade”. Os que ainda não foram julgados são “ficha limpa”. Os que já foram, são pobres injustiçados e recorrem, recorrem, recorrem e continuam recorrendo contra os dispositivos “legais” que eles próprios aprovaram enquanto não acreditavam ser pegos.

 

O discurso das Barcas para São Gonçalo já tomou forma. A gente se ilude porque quer!

O Metrô é um desafio à matemática: não possui e, pelo jeito, jamais possuirá a Linha 3.

Até o BRT, que é um prêmio de consolação de mau gosto, “Cavalo de Tróia” de interesse dos empresários do setor, está silencioso, talvez esperando a velha perplexidade do eleitor após os resultados.

E ainda dizem que querem “regulamentar” os aplicativos de transporte da cidade, como se isso não fosse para onerar mais o povo em nome de mais arrecadação negociada para rechear os bolsos de alguém – ou de certos “alguéns”!!!

Votaremos para presidente, senador, deputado federal e deputado estadual. Pleito sem nomes confiáveis, sem confiança nas urnas, sem confiança nos políticos, tampouco no judiciário.

O Metrô é um desafio à matemática: não possui e, pelo jeito, jamais possuirá a Linha 3.

E o gonçalense vai assistir a todo um elenco de políticos de fora pedindo voto aqui e votará neles pela fama, pela falta de informação, pela falta de participação na vida local… Afinal, São Gonçalo, apesar dos contrários, ainda é uma cidade dormitório. Conhece os políticos de Niterói e da capital, mas nada conhece ou não valoriza os seus. Mete pau nos governos, mas os elege. E de quebra acredita nas mesmas promessas de sempre. Políticos crescendo, São Gonçalo decaindo.

E segue o trem. Frágeis locomotivas, mesmos vagões enferrujados e fora dos trilhos. “Café com pão!”, “Piuíííí”, “Café com pão!”, “Café com pão!”

 

Melhor parar! A onomatopeia me lembrou do Café Social do governo passado. Muito sem graça.

3 comentários em “Tudo muito sem graça

  • 11 de Março de 2018 em 23:36
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    Perfeito, Frede, Perfeito!!!
    Eu sei que essa roda é uma roda que nunca parará de girá nesse sentido. E sei o tipo de veneno pelo qual é rodeada essa enorme roda. Mas não vai ter jeito, eu vou ter que tentar me aventurar nesse jogo perigoso. Eu vou tentar fazer alguma coisa prática. Vou me candidatar para vereador em 2020. Vou atrás dos direitos e das leis há muito negados ao povo de nossa cidade. Não vou me colocar no lugar de salvador da cidade, mas vou lutar por aquilo que sei que é nosso.

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  • 12 de Março de 2018 em 00:27
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    Excelente texto, professor. Parabéns!

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  • 12 de Março de 2018 em 17:20
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    Valeu, meu amigo Fred, essa ladainha já se tornou marca registrada no sentido de ludibriar sistematicamente, e quase sempre, os que pouco buscam o aprofundamento nas questões que lhes dizem respeito. Enquanto o povo se ilude com pouca coisa, eles vão deitando e rolando e tripudiando da capacidade de cada um. Somos os verdadeiros otários neste imenso e idolatrado país.
    Forte abraço, professor!

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