Salve-se quem puder, mas continue educando!

Tenho consciência de que o dinheiro é escasso para toda a classe trabalhadora. E também tenho consciência de que os políticos nunca se interessaram muito pela educação.

Educação não interessa aos políticos porque independentemente do que se estuda, sempre se sabe um pouquinho mais. E quem sabe mais, ou se revolta ou é mais um para dividir a astúcia e reduzir o ganho.

Brasil, Ordem e Progresso; Pátria Educadora; Educação para todos; Pátria amada, Brasil… Muitos slogans, pouca ação conclusiva.

Durante muito tempo importamos modelos de educação, principalmente da Europa e dos Estados Unidos. E quando criamos alguma coisa no Brasil, é apenas para as exceções. A educação inclusiva no Brasil, por exemplo, não parte nem da área de educação. Apenas foi absorvida por esta.

A Lei do “Calote”, de FHC, permite que o aluno menor de idade, mesmo inadimplente, tenha direito a todas as aulas, avaliações, documentos e regalias que o aluno que paga tem. A escola e os professores têm que trabalhar normalmente com esse aluno. Só que a inadimplência cresce, não só por parte do que não pode pagar, mas por parte do que pode e que sabe que nada vai acontecer a não ser perder o seu crédito, caso a escola inclua nos serviços de proteção financeira.

O grave problema da inclusão é que para os que criam e apoiam a lei, todos podem ser incluídos. E segundo as próprias APAEs, nem todos estão no mesmo nível. Enquanto as escolas do governo lutam para reduzir seus gastos e otimizam turmas, as particulares, que precisam dos alunos, devem contratar mediadores e arcar com os custos, não tendo como remunerar melhor o professor.

Aliás, a remuneração baixa do professor é fruto também do desamparo em que se encontra a Escola Particular.

Pensemos bem. Para sobreviver, a Escola Particular tem que pagar impostos. E São Gonçalo não é um município que facilite as coisas. Tem que pagar energia elétrica alta porque precisa ter ar condicionado nas salas. Tem que ter laboratórios e bibliotecas funcionando. Tem um baita gasto de água. Tem que cobrar o mínimo, para ter alunos. Tem que receber pessoas com deficiência e se adequar a elas com rampas, banheiros apropriados, sinalização, redução de alunos por sala, mediadores, etc., sem poder aumentar o valor da mensalidade. O que sobrará para os educadores e para o mantenedor? Isso sem contar com as escolas não regularizadas e que não pagam qualquer imposto ou taxa, reduzindo o número de alunos circulantes no mercado, de forma desonesta.

Se o professor apenas sobrevive, trabalhando em três turnos, é porque alguma coisa não está correta. Não falo de enriquecimento, falo de sobrevivência.

Pobre educação. Pobres educadores. Mas sobretudo, pobre povo que não conta com governos coerentes e decentes no tocante à Educação. Escolas falindo, professores insatisfeitos, currículo elaborado por quem nunca militou na Educação Básica, por quem nunca ensinou a ler ou a escrever ou a contar.

E vamos em frente nesse “salve-se quem puder” de uma educação de qualidade inferior à da Etiópia, cheia de slogans, cheia de incompetentes dominando e sem resultado prático que eleve a capacidade do povo.

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