Por que as esquerdas não se unem?

Ideologicamente, em tese, a política atual encontra-se em campos divididos: esquerda-direita, mas fracionada entre esquerda-direita, centro, extrema-esquerda e extrema-direita. Nesses campos de maneira difusa e configuração nebulosa estão os chamados e que se consideram socialistas. A direita e a extrema-direita ocacionalmente se unem de forma pragmática na defesa de pontos convergentes. Mas por que as esquerdas não se unem para defender pontos e objetivos comuns.
A divisão, quer no campo político, quer no ideológico, favorece aos seus adversários, enfraquecem a luta ideológica e quem paga por seus erros políticos é o povo trabalhador, os pobres e miseráveis que não compreendem essa razão motivadora da divisão das esquerdas. Ao se dividirem, num momento político-eleitoral, as esquerdas fazem o jogo da direita.
Por que ajem assim? Seria porque gostam de sofrer e se apegam ao discurso e não ao desejo de mudanças? Seria porque gostam de ver o povo sofrendo para não perder o discurso? Seria isso ideológico ou apenas uma insensatez? Esquerdas socialistas ou socialistas de esquerda poderiam, se o quisessem, aprofundar o discurso no sentido de obter mudanças reais, promover a conscientização das massas ignaras na direção das transformações factíveis que permitam melhorias da qualidade e condições de vida de toda a sociedade e não apenas de uns poucos que nela vivem.
Não sou de esquerda, mas não a desprezo. Desprezo o discurso ideológico apenas como motivação política. Condeno o discurso ideológico como motivação de sobrevivência política, mas não como fator de mudanças. As divergências, em política, são naturais, mas não posso admitir divergências ou divisões por vaidade pessoal. Se houvesse sinceridade no discurso, embasado em pontos críticos denotando mudanças ou transformações sociais, acredito que poderia haver um crescimento, fortalecimento, das esquerdas, possibilitando a criação de um estado de direito socialmente responsável.
Mas os que se declaram de esquerdas querem isso? Provavelmente não. O que há é um discurso focado ou falso das esquerdas que só se manifestam em épocas cruciais, como a das eleições. Depois quase tudo volta ao seu curso normal. As lições de Karl Marx, principalmente as dos últimos anos de sua vida, precisam ser reestudadas, reinterpretadas, rediscutidas, porque ele próprio teria reinterpretado seus textos, chegando ao estado de quase desilusão ou utopia e que seus esforços filosóficos poderiam, no futuro, não passarem de meros exercícios mentais sem consequências para a humanidade.
E as esquerdas hoje parece que lhe dão razão.
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*Pereirinha é editor do jornal Metrô Car, secretário da União dos Jornalistas e Comunicadores de São Gonçalo (UNIJOR) e colunista dos jornais Monitor Mercantil (Rio) e do Jornal de Hoje (Nova Iguaçu).

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