Quem somos nós? – Ecos do Passado VIII

 
 
Temos muitas dúvidas, principalmente sobre nós mesmos. Aonde haveremos de ir. Onde poderemos chegar. Vemos ao longe um longo caminho à nossa frente, mas que caminho é esse e aonde nos levará. Estamos na cidade, mas não parece, da maneira que vemos a nossa cidade, um lugar tranquilo. Eu, particularmente, vejo uma espécie de colmeia, uma cidade repartida, partida. Nela não vemos os amigos de sempre. Não os encontro nos lugares de sempre. Tudo me parece estranho e singular como se não existisse no tempo e no espaço. Caminho lentamente, observando as coisas, os estabelecimentos comerciais, alguns a alguma distância, outros mais próximos, aqui e ali uma mulher, um homem, uma criança conduzida pela mãe, pelo pai ou, sei lá, por uma pessoa qualquer da família.
 
Nós somos o que somos porque talvez acreditamos que sejamos algo para alguém. Deve ser alguma lembrança, uma imagem do passado que voltou à mente, mas que pode significar alguma coisa para esse alguém e nada para nós, mesmo porque não temos nenhuma ideia do que significamos para esse alguém. Na verdade, nesse labirinto da colmeia trabalhamos, trabalhamos e continuamos vivendo um ciclo de vida insignificante, porque o produto do nosso trabalho pode até ser importante para esse alguém, para a vida de alguém, mas para nós…é apenas trabalho.
 
A família. Ah, a família! Existe e continuará a existir, mesmo se passassemos a não existir. Ela saberia se cuidar. Saberia, mesmo sem nós, enfrentar o ciclo da vida. Alguém poderia ajudar a superar as dificuldades da vida, mas nós…Eu e ele. Quanto a ele, eu não sei. Sim. Eu, porém, como ficaria? Não consigo ainda entender a nossa separação. Naquela noite, vendo a chuvar cair, só uma ideia  ficou clara na minha mente, que era possível superar tudo e voltar a viver. No entanto, ainda sinto o gosto amargo da decepção, do constrangimento e da separação.
 
Eu sou Luíza e sigo em frente, tentando superar essa situação, mas não é fácil. Acredito que ele, provavelmente também esteja na mesma situação. Acredito que sim. Sei que a minha vida dificilmente será a mesma, mesmo porque minha crença na vida foi seriamente abalada. É inacreditável, mas é a pura verdade. Todos nós, independentemente de quem sejamos, sofremos muito com essas inquietações que nos afligem.

1 comentário em “Quem somos nós? – Ecos do Passado VIII”

  1. Acredito que Luíza passa por momentos difíceis, psicologicamente difíceis, mas também acredito que ela vai recuperar essa fase e aos poucos se reencontrará.
    Pereirinha

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