Visões

Dormia pouco e mal. Deitava-se tarde e acordava cedo. O sono – acreditem – não lhe era inteiramente reparador, pois acordava um pouco cansado e o corpo dolorido. Talvez fosse porque não mudava de posição enquanto dormia. Sabem, algumas pessoas enquanto dormem se viram, se mexem, para livrarem-se da posição incômoda. E tinha pesadelo. Via-se, quase sempre, na pele de caçador. Atacando e sendo atacado. Tinha, vez por outra, um sono agitado e acordava molhado de suor.
Uma noite, Luiz deitara mais cedo. Não se sabe ao certo se entre dez e onze horas. Demorou a pegar no sono. Virava e se revirava de um lado para o outro, sem atinar bem porque. Não tinha consciência daquilo. Seu corpo atlético ia pra lá, pra cá, em movimentos lentos, sem direção, procurando uma posição que fosse mais favorável ao descanso da carne e do espírito. Levou minutos, longos minutos, até adormecer.
Uma linda mulher lhe surge à frente. Cabelos longos, brilhantes, ouro reluzente, dançavam  no ar. Rosto angelical, sorriso meigo, de uma santa, sobressai dos lábios rosados e finos. Essa bonita e encantadora jovem tinha as mãos estendidas, em forma longitudinal, como se estivesse pedindo socorro. Era duvidoso porque não chorava, não gritava… dava a entender que era apenas um chamamento, um convite para um caloroso abraço.
Mas a imagem nítida vai aos poucos se distanciando, desaparecendo do campo de visão e some repentinamente. Surgem, outras imagens, furtivas, que também desaparecem. Aparecem outras e mais outras seguidamente, como sombras, e que também vão desaparecendo. Nenhuma tinha nada de familiar. Luiz não conseguia se lembrar se já as tinha visto em algum lugar.
Uma casa, uma pessoa caminhando em sua direção. Uma mulher parece lhe falar: – arruinaste minha vida, rapaz.
E ele, aturdido, articulando mal as palavras: – mas como?
Não se lembrava de nada. Sua mente estava confusa. Acorda no meio da noite, suando muito. Passou as mãos pelo rosto. Olhou ao redor da cama, viu tudo em desalinho, mas ele… Bem, ele continuou desorientado.
 

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