Que Educação desejamos para as novas gerações?

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QUE EDUCAÇÃO DESEJAMOS PARA AS NOVAS GERAÇÕES, INCLUSIVE NOSSOS FILHOS E NETOS?
Num momento em que a educação brasileira está sendo tão debatida, penso que, antes de apoiarmos essa ou aquela orientação, devemos revisitar Paulo Freire, nosso grande educador, reconhecido em todo o mundo.
Sua coragem de por em prática um autêntico trabalho de educação que identifica a alfabetização com um processo de conscientização, capacitando o estudante tanto para a aquisição dos instrumentos de leitura e escrita quanto para a sua libertação, fez dele um dos primeiros brasileiros a serem exilados pela ditadura militar.


Expulso do País, foi muito bem recebido em nações e em instituições que valorizam a educação. Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos grupos engajados em novas experiências educacionais tanto em zonas rurais quanto urbanas. Durante os dez anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça). Nesse período, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo, principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para “reaprender” seu país. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).


Em Paulo Freire, conviveram sempre presente senso de humor e a não menos constante indignação contra todo tipo de injustiça. Paulo Freire é autor de muitas obras. Entre elas: Educação como prática da liberdade (1967), Pedagogia do oprimido (1968), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992) e À sombra desta mangueira (1995).


Foi reconhecido mundialmente pela sua práxis educativa, através de numerosas homenagens. Além de ter seu nome adotado por muitas instituições, é cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior.


A ele foi outorgado o título de Doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades. Isso mesmo, Doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades!


Por seus trabalhos na área educacional, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios: Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica, 1980); Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986) e Prêmio Andres Belloda Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continente (1992). No dia 10 de abril de 1997, lançou seu último livro, intitulado Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa.


Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, em Recife, Pernambuco, na época, uma das regiões mais pobres do país, onde logo cedo pôde experimentar as dificuldades de sobrevivência das classes populares. Faleceu no dia 2 de maio de 1997, em São Paulo.


Que os debates atuais ocorram de maneira civilizada, sejam inspirados pelo mais puro humanismo e nos levem a um modelo educacional de formação de cidadãos.


Que a educação brasileira seja “Mais Paulo Freire” e não “Menos Paulo Freire”.

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