Os nossos símbolos cívicos

Os três brasões

Brasão – Heráldica: Conjunto de peças, figuras e ornatos dispostos no campo do escudo ou fora dele, e que representam as armas de uma nação, de um soberano, de uma família, de corporação, cidade, etc. (Dicionário Aurélio, 1998, p. 283)

Criado pelo decreto nº 124, de 22 de setembro de 1890, do governador Francisco Portela (1833/1913), instalado em 12 de outubro de 1890, extinto pelo decreto nº 1, de oito de maio de 1892, do governador José Tomás da Porciúncula (1854/1901), recriado pela lei estadual nº 34, de autoria do deputado Carlos de Sá Carvalho (1820/1897) e sancionada pelo próprio Porciúncula, em 17 de dezembro de 1892, e reinstalado em nove de fevereiro de 1893, com a posse de sua primeira Câmara de Vereadores, o Município de São Gonçalo não teve imediatamente criados seus símbolos cívicos.  Pelo contrário, esperou muito para que surgisse o primeiro deles.

Foi o seu brasão uma iniciativa, quase 40 anos depois, do prefeito Carlos Augusto Duque Estrada (1874/1939), dono da Fazenda do Coelho, morador em Alcântara, major da Guarda Nacional e corretor da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que o instituiu pelo ato nº 38, de 28 de março de 1931, ainda que o chamasse de escudo.  Estabelecia o ato:

O prefeito do Município de São Gonçalo, por nomeação do interventor federal no Estado do Rio de Janeiro,

Art. 1º – Resolve criar e adotar o escudo do município.

São os seguintes os característicos do emblema municipal:

Ao fundo, o Cruzeiro do Sul refulgindo ao sol do progresso;

No primeiro plano, onde aparecem as principais culturas do município, está representada a fruticultura;

Circunda essa alegoria uma faixa bordada de estrelas, simbolizando os Estados do Brasil;

Fecha o quadro uma fita com a legenda: “Cultivae a terra para o progresso do Brasil”;

Abaixo da legenda, a inscrição Município de São Gonçalo;

Em cima, o emblema da Indústria e Comércio.

Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário.  (O Estado,1931, p. 1 e 3)

Sua vida foi relativamente efêmera, porque o prefeito Samuel Barreira (1870/1957), que o sucedeu em 02 de julho de 1931, o manteve, mas o mesmo não ocorreu com o prefeito Álvaro Miguelote Viana (1897/1945), empossado em 22 de dezembro de 1932, que simplesmente o aboliu dos atos oficiais, situação que perdurou até 22 de julho de 1936, quando o prefeito Álvaro Moitinho (1893/1941) optou por criar um novo brasão e baixou o ato número 20, do seguinte teor:

O prefeito municipal de São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, nomeado na forma da lei, etc., usando das atribuições que a lei lhe confere e

Considerando que este município já viveu em verdadeiro apogeu social, em tempos de grande fastígio, pela plêiade de titulares, que tinha, e que possuíam os seus brasões;

Considerando que o município, como parte integrante do Estado do Rio de Janeiro, o é com acentuado destaque, sob o aspecto industrial;

Considerando que as culturas da laranjeira e do abacaxi constituem grandes fatores da vida econômica do município, RESOLVE:

Art. 1º – Fica criado o “Brasão” do Município de São Gonçalo.

Art. 2º – Esse brasão, como emblema oficial do município, figurará em todos os documentos oficiais desta Prefeitura, em os quais o timbre seja necessário.

Art. 3º – O brasão será, conforme o desenho aprovado nesta data, representado por um escudo, tendo na parte superior uma roda dentada, significando a indústria mecânica; aos lados, externamente ao corpo principal do escudo, uma cana e um ramo de cafeeiro, símbolos dos principais fatores da vida econômica do Estado, de que o Município é parte – figurando, no interior do corpo principal do escudo, em cima, um edifício industrial, junto a um cais marítimo, representando as grandes indústrias do município, e, em baixo, – no interior do escudo – figuram, de um lado, um laranjal, e, de outro, uma cultura de abacaxis, que representam os grandes fatores da vida agrícola de São Gonçalo.

Parágrafo único – Leva o escudo os seguintes dizeres, pela ordem e de cima para baixo: Estado do Rio de Janeiro – Município de São Gonçalo – 22 de Setembro de 1890, data do decreto nº 124, referente à criação do município.

Art. 4º – Revogam-se as disposições em contrário.  (Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 23/07/1936, p. 13)

Sua existência foi mais longa que o anterior, porém com uma interrupção, quando a Constituição do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, aboliu todos os símbolos estaduais e municipais e o interventor federal no Estado do Rio de Janeiro, comandante Amaral Peixoto (1905/1989), pelo decreto nº 280, de 13 do mesmo mês, confirmou sua abolição em território fluminense.  A partir daí, somente os símbolos nacionais podiam ter culto cívico.

Terminada a ditadura de Vargas em 1945 e com a eleição e posse, em 13 de outubro de 1947, do prefeito Egylio Justi (1913-1992), continuou ele usando o material impresso advindo de administrações anteriores, ainda com o brasão da República, até que o prefeito Gilberto Afonso Pires (1915/1993), empossado em 31 de janeiro de 1951, teve de mandar imprimir folhas de processo, envelopes e assemelhados e resgatou o antigo brasão, já então sem a roda dentada em sua parte superior.

Assim ele sobreviveu até 1969, quando o prefeito Osmar Leitão Rosa propôs à Câmara Municipal, pela mensagem nº 17/69, de 25 de agosto, o novo brasão, que ainda hoje está em vigor, desde a sanção da Deliberação nº 557/69, de 10 de setembro daquele ano, que o aprovou em definitivo. Sua feitura é de autoria do professor Alberto Lima (1898/1971), heraldista e desenhista de renome, na época com exercício na Secretaria Geral do Exército, que realizou vários trabalhos, e os ofereceu graciosamente à Prefeitura.  Deles, foi escolhido o que, com seu escudo,

Representa a origem lusitana do Brasil; o turbante e as flechas referem-se aos Tamoios, os primitivos donos da terra; a estrela, a Gonçalo Gonçalves, o sesmeiro a quem se deveu a construção da igreja dedicada a São Gonçalo de Amarante, criada por alvará de 10 de fevereiro de 1646;  a silhueta do Estado, evidenciando a presença do município no conjunto estadual;  o conjunto industrial e a roda dentada marcam a industrialização da comuna;  a colina com singelo cruzeiro, a maior demonstração de fé de um povo honesto, ordeiro e trabalhador a serviço da pátria; a faixa ondada, o Rio Guaxindiba, o mais destacado caminho fluvial do município;  o café e a cana, riquezas do passado, sempre presentes.  (Mensagem nº 17, de 25/08/1969)

O professor Alberto Lima justificou ainda a adoção das datas de 1646 e 1890, por serem as de elevação da igreja católica a paróquia (embora alguns autores digam que foi em 1647 e, outros, em 1644) e de emancipação do município, respectivamente, assim como o significado dos metais e esmaltes: ouro: força; prata: candura; vermelho: intrepidez;  azul:  serenidade;  e verde:  esperança, abundância.

Este brasão está sendo longevo, pois há pouco completou quatro décadas, o que é uma proeza para o Brasil, cujos administradores públicos e privados não respeitam a História e mudam símbolos ao sabor de sua (des) inteligência, enquanto em outros países procura-se preservá-los por séculos.  Para não ir mais longe, basta lembrar Portugal, onde a Universidade de Coimbra, por exemplo, mantém até hoje o brasão que lhe deram quando foi fundada, no século XIII.

O hino do Município

Corria o ano de 1969 quando o prefeito Osmar Leitão Rosa resolveu propor à Câmara Municipal a adoção de símbolos cívicos, com os quais a Cidade pudesse identificar-se.  A regra geral era (e é) que cada município tivesse seu brasão, sua bandeira e seu hino.  São Gonçalo já possuía o primeiro deles, de que falamos na abertura deste trabalho, e tornou-se importante, então, termos nosso Hino.

Para executar a tarefa, foi convidado aquele que era, à época, um dos principais poetas da cidade, o professor Geraldo Pereira Lemos.  E este, depois de versejar as belezas da terra, pediu ao maestro Jayoleno dos Santos, da Orquestra Sinfônica Brasileira, que musicasse sua obra poética.

Falemos primeiro do professor Geraldo Pereira Lemos.  Filho de José Pereira Lemos (mineiro, que trabalhou na oficina da Estrada de Ferro Maricá, no bairro Santa Catarina, e aqui conheceu sua futura esposa, com quem voltou para Minas Gerais) e de Maria Nina Lemos, nasceu em quatro de fevereiro de 1933, em Conselheiro Lafaiete (MG), onde fez o curso primário no Grupo Escolar Pacífico Vieira e em seguida foi internado em um colégio de Barbacena para prosseguir os estudos.  Diante do rigoroso regime do internato, dele fugiu, aos 14 anos de idade, e veio para o Rio de Janeiro, onde se matriculou no Colégio Pedro II, por ele abandonado após um ano, e mudou-se para São Gonçalo, onde sua mãe, que enviuvara, já voltara a residir.  Era 1948 e Geraldo ingressou no Colégio São Gonçalo, que cursou até concluir o então ensino médio.  Começou a trabalhar como jornalista, da revista O Cruzeiro, profissão exercida por dois anos, e depois se tornou bancário.  A convite, começou a lecionar no próprio Colégio São Gonçalo, iniciando-se sua longa carreira de professor, que exerceu não apenas ali como nos Colégios Municipais Castello Branco e Ernani Faria, além de nas escolas particulares Azevedo Viana, Pereira Rocha e Célia Peniche de Souza.  Escreveu dezesseis livros de poesia, prosa e romance, entre eles Risos e Lágrimas, Canções para Ninar Patrícia, O Melhor de Geraldo Lemos e A Cruz do Meu Calvário.  Foi diretor dos Colégios Municipais Presidente Castello Branco e Ernani Faria e do Serviço Social da Indústria (SESI), em São Gonçalo.  Geraldo teve poesias musicadas pelo compositor gonçalense Altay Veloso e é membro das academias de letras de São Gonçalo (AGLAC), de Conselheiro Lafaiete/MG e de Santa Maria Madalena/RJ.  Foi agraciado com os títulos de Cidadão Gonçalense, Madalenense e Fluminense.  Além de haver integrado as diretorias do Instituto Gonçalense de Assistência à Maternidade e à Infância (IGAMI), da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e dos clubes Tamoio e Mauá, participou ativamente da campanha de criação da Associação Gonçalense de Estudantes (AGE), de que foi presidente em vários mandatos, e dos movimentos cívicos para homenagem às memórias do médico Luiz Palmier, do pastor Waldemar Zarro, do monsenhor Godofredo Barenco Coelho e da professora Maria Estefânia Melo de Carvalho, cujos bustos em bronze, obras do escultor Honório Peçanha, estão espalhados pela cidade.  Felizmente, o professor Geraldo Lemos ainda está entre nós.

O mesmo não ocorre com o maestro Jayoleno dos Santos, falecido em 13 de julho de 2007 e sepultado no dia imediato no Cemitério Parque da Colina, em Niterói.  Foi na vizinha cidade que ele nasceu, em oito de março de 1913, no bairro do Barreto.  Aos cinco anos ficou órfão, com a morte de seus pais durante a epidemia de gripe espanhola em 1918.  Familiares cuidaram dele até os 10 anos de idade, quando então foi internado no Patronato de Menores, no bairro de Paraíso.  Ali, o menino revelou-se verdadeiro prodígio não só no currículo normal, como na música.  Ao sair do Patronato, frequentou o Conservatório de Música de Niterói e aperfeiçoou-se na Escola Arcângelo Careli.  Em seguida, ingressou na Escola Nacional de Música, hoje da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formou-se em Harmonia Superior e História da Música, em 1935, e deu seu primeiro concerto no Teatro Municipal de Niterói em 18 de janeiro de 1936, iniciando uma carreira brilhante.  Por concurso, tornou-se professor titular de clarineta da UFRJ e formou vários clarinetistas brasileiros de renome.  Em 1938, recebeu a medalha de ouro da Escola Nacional de Música.  Em 1947, compôs a primeira sonata brasileira para clarineta e piano, além de ter outras composições de sucesso.  Tornou-se maestro, foi membro-fundador e primeiro-clarinetista da Orquestra Sinfônica Brasileira, a qual regeu em várias ocasiões, inclusive em substituição ao maestro Isaac Karabtchevsky (1934/…), de renome internacional, foi fundador da Sociedade Brasileira de Música de Câmara e dirigiu e regeu a Orquestra Sinfônica de Niterói.

Voltemos à adoção do hino, propriamente dita.  Já chegara o princípio de 1970 e o prefeito Osmar Leitão Rosa enviou à Câmara Municipal a mensagem nº 02/70, adotando a letra e a música de Geraldo Lemos e Jayoleno dos Santos como o Hino Oficial do Município de São Gonçalo.  A proposta foi aprovada na sessão legislativa de 22 de julho e coube ao prefeito José Alves Barbosa (1928/2002) sancioná-la, tornando-a a deliberação nº 567/70, de 30 de julho de 1970.  Barbosa era presidente da Câmara Municipal e nessa condição assumira a Prefeitura em 13 de maio de 1970, data em que o prefeito Osmar Leitão Rosa e o vice-prefeito Hairson Monteiro dos Santos (1937/2011) renunciaram a seus mandatos, de acordo com a lei eleitoral em vigor na época, para se candidatarem às eleições de 15 de novembro daquele ano.

O hino foi cantado pela primeira vez em 22 de setembro seguinte, pelo coral dos alunos do Colégio Municipal Presidente Castello Branco, regido pelo professor Elias Silva, na abertura das comemorações dos oitenta anos de emancipação político-administrativa do município.

Abro parênteses para falar sobre o Hino Nacional Brasileiro, letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870/1927), que foi inspetor escolar estadual em São Gonçalo, e música de Francisco Manuel da Silva (1795/1865).  Pode parecer extemporânea a sua presença aqui, mas os leitores haverão de compreendê-la com o texto a seguir.  É que o nosso principal Hino tem omitido, ao longo dos tempos, uma de suas mais belas partes, qual seja a Introdução.  Na próxima vez em que o leitor o ouvir, tente cantá-la assim que começar:

Espera o Brasil / Que todos cumprais / Com o vosso dever. / Eia, avante, brasileiros, / Sempre avante! / Gravai com buril / Nos pátrios anais / Do vosso poder. / Eia avante, brasileiros, / Sempre avante! / Servi o Brasil / Sem esmorecer, / Com ânimo audaz / Cumpri o dever, / Na guerra e na paz, / À sombra da lei, / À brisa gentil / O lábaro erguei / Do belo Brasil. / Eia sus, oh sus! (Enfermeira Ana Arcanjo, entrevista de 27/04/2009)

Se o Hino Nacional Brasileiro contém tal omissão, não seria excepcional que algo semelhante ocorresse com o municipal.  Vejamos:

Com a publicação da letra e da partitura daquela obra musical cívica, cuja letra é de autoria do professor Geraldo Pereira Lemos (e fundada em seu poema “Pioneira do Progresso Fluminense”) e a melodia é do maestro Jayoleno dos Santos, tenho por objetivo cobrir uma falha comum a todas as publicações, inclusive as oficiais, que não possuem a partitura e, ao mesmo tempo, não esclarecem qual o estribilho da poesia.

Vamos, pois, à letra completa do Hino de São Gonçalo:

São Gonçalo, cidade mui singela
Erguida nos encantos de aquarela,
Namorada de nós os gonçalenses…
Cidade que só cresce dia a dia.
Monumento eternal, sol de alegria,
Orgulho maior dos fluminenses…


Teu passado – cidade – foi honroso,
Teu futuro será maravilhoso,
e o teu presente fúlgida verdade…
Teu povo sempre ordeiro e liberal
Semeia no teu seio maternal
As propícias sementes da bondade…

Tens usinas com muitas chaminés
Que logo dizem prontas quem tu és:
Oficina onde bate rijo o malho…
Macedo, Palmier, eis o talento.
Estephânia, ó que grande monumento,
Eis homens fortes, prontos ao trabalho.

Teu passado – cidade – foi honroso,
Teu futuro será maravilhoso,
e o teu presente fúlgida verdade…
Teu povo sempre ordeiro e liberal
Semeia no teu seio maternal
As propícias sementes da bondade…

Tens igrejas festivas, cujos sinos
bimbalham puros sons, bem cristalinos,
da cidade fazendo pompa e glória…
Em Neves, Alcântara ou Gradim,
Certamente tu tens, sim,
A graça que engalana a tua História…

Teu passado – cidade – foi honroso,
Teu futuro será maravilhoso,
e o teu presente fúlgida verdade…
Teu povo sempre ordeiro e liberal
Semeia no teu seio maternal
As propícias sementes da bondade…

Concluído o texto completo do hino, cabe-me um esclarecimento:

Nele são citadas três personalidades gonçalenses.  São elas: Macedo, o jornalista Antônio Vieira de Macedo (1879/1962), que teve importante atuação nas principais conquistas da cidade, nas décadas de 1930 a 1950; Palmier, o médico Luiz Palmier (1893/1955), que combateu, em lombo de burro, a gripe espanhola no final da década de 1910, construiu o primeiro grande hospital público da cidade, foi vereador e deputado estadual;  e Estephania, a professora Maria Estephania Mello de Carvalho (1885/1958), que aqui instalou, na década de 1940, o Colégio São Gonçalo, era conhecida como a Mãe do Estudante Pobre e é nome da Praça Estefânia de Carvalho, no bairro de Zé Garoto.

A bandeira municipal

De acordo com o compromisso de resgatar a memória histórica do município de São Gonçalo, quanto a seus símbolos cívicos, resta-me abordar a criação da Bandeira do Município, após tê-lo feito em relação ao nosso Brasão e ao nosso Hino.

O Brasão faz parte da legislação que criou a nossa Bandeira e os dois símbolos integram a mesma Deliberação nº 557/69, sancionada pelo prefeito Osmar Leitão Rosa em 10 de setembro de 1969.

Vamos, portanto, à descrição de nosso pavilhão: é um retângulo repartido por diagonais que formam quatro triângulos na cor azul e branco, todos os quatro triângulos em convergência para o centro, onde está o Brasão.  A Bandeira é de autoria do heraldista, desenhista e professor Alberto Lima, que retratou no emblema a história do município: tudo encimando, a coroa mural, comum a todos os municípios brasileiros e remetendo à sua origem portuguesa; o turbante [ou cocar indígena] sobre duas flechas cruzadas refere-se aos índios Tamoios [em verdade, Tupinambás]; a estrela homenageia o sesmeiro Gonçalo Gonçalves;  a silhueta do mapa do Estado do Rio de Janeiro demonstra a importância estadual do município;  a roda dentada e o conjunto de fábricas sinalizam o desenvolvimento industrial;  a colina e o cruzeiro representam a fé do povo gonçalense;  a faixa ondada é referência ao Rio Guaxindiba;  os ramos de café e de cana de açúcar lembram o passado agrícola;  e os anos de 1646 e 1890 são o registro da elevação da capela a paróquia e da emancipação do município, respectivamente.

Já houve tempo em que a Bandeira estava em todas as praças e escolas do Município, nos prédios públicos federais, estaduais e municipais, e havia até um modelo em escala reduzida, colocado em cada sala de aula, na mesa do professor.  Mas, se hoje já não há respeito e muito menos veneração pela Bandeira Nacional (exceção aos eventos esportivos e solenidades militares), seria demais querer que as Bandeiras Estadual e Municipal os tivessem.


Fontes: Deliberação Municipal nº 557, de 10/09/1969 (Arquivo da Câmara Municipal de São Gonçalo – ACMSG).

             Deliberação Municipal nº 567, de 30/07/1970 (ACMSG).

             Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 23/07/1936, p. 13; 11/11 e 14/11/1937, ambos p. 4 (Imprensa Oficial do RJ).

             O Estado, 01/04/1931, p. 1 e 3 (Fundação Biblioteca Nacional).

             O Fluminense, 16/01/1936, p. 1 (Fundação Biblioteca Nacional).

             Mensagem à Câmara Municipal nº 17, de 25/08/1969 (ACMSG).

             Mensagem à Câmara Municipal nº 02, de 13/05/1970 (ACMSG).

             Ana Arcanjo (A Introdução do Hino Brasileiro), capturada no YouTube em 31/01/2010, às 10h20min.

             Fernando José Silveira (entrevista concedida ao autor em 10/01/2010).

             Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2ª ed., Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1998.

             Lemos, Geraldo Pereira, O Melhor de Geraldo Lemos, Poesia e Prosa, São Gonçalo, Centauro’s Gráfica e Papelaria Ltda., 1986.

2 comentários em “Os nossos símbolos cívicos”

  1. Fred,
    maravilhoso o artigo do Jorge Nunes sobre os símbolos cívicos de São Gonçalo.
    Merece ser lido por todos que gostam e amam essa cidade, inclusive ser comentado nas salas de aula pelos professores.
    Pereirinha

  2. Tive o privilégio de participar do concurso que escolheria o brasão de nossa cidade. Na época fui convidado pelo meu amigo e vereador Luiz Vianna e o meu trabalho ficou em terceiro lugar.

    Farias.

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